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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Reprogramação Mental – Uma técnica que funciona.


Reprogramação Mental é o uso de afirmações repetidas sistematicamente por meio do “self talking” (falar consigo mesmo) ou por meio de um áudio ou vídeo pré-gravado com estas afirmações.

Os relatos de resultados positivos das pessoas que usaram este tipo de técnica nos animam a perguntar como ela funciona.

Muitos de nós, entretanto, ficam um pouco receosos de experimentar. Este receio vem por causa da da palavra “programação”. Sentimos desconfiança de quem quer que seja que tenta nos programar, mesmo com boas intenções. E não gostamos também de sermos comparados com máquinas. Programo minha TV digital, meu celular, meu despertador. Mas... eu mesmo?

No entanto, este receio é infundado, pois a programação já acontece!

Quer queiramos quer não, nosso cérebro está sendo constantemente bombardeado com programações: educação familiar, regras de conduta imposta pela nossa sociedade, treinamentos, publicidade e até conselhos de amigos.

Por estes exemplos, você já deve ter percebido que, além dela já estar presente no seu dia a dia, a programação funciona, do contrário eu e você não estaríamos conversando agora. Você não saberia ler e eu não saberia escrever, fruto de um programa implantado em nós pela escola primária. Aliás, nem poderíamos falar, já que a linguagem seria um dos primeiros programas inseridos no nosso cérebro.

Outra forma de programação muito comum nos dias de hoje é a publicidade. Vou ilustrar com uma pequena anedota:

Um homem, a caminho de uma convenção de publicidade, pegou táxi. Ao ouvir o endereço, o taxista, percebendo que o passageiro era um publicitário, disse, cheio de orgulho:
– Sabe, esta coisa de propaganda não em pega! Eu sou imune a ela, por que eu uso a cabeça.
O publicitário, pensou um pouco e perguntou:
– Que pasta de dente você usa?
Ele respondeu:
– A pasta X. Mas não a compro por causa da propaganda não. Eu trabalho na rua e ela é a única que me dá proteção o dia inteiro.
Era este exatamente o slogan da marca X.

Como o taxista da anedota, nosso comportamento é moldado de forma imperceptível pelos meios de comunicação, pela sociedade e pelo Estado.

A marca X poderia estar sendo honesta e realmente anunciar um produto que protegia seu usuário por 24 horas, seus pais só queriam seu bem ao proibirem você de ir dormir tarde, e o Estado pode realmente estar preocupado com o bem estar dos cidadãos. Mas quando você era criança, ir cedo para a cama pode ter sido necessário, mas hoje você ter sono todos os dias exatamente às oito horas da noite pode não ser muito útil.

Daí palavra ser “reprogramação”. A proposta seria, por meio de algumas técnicas, remover esta programação por outra, escolhida por você.

Isso funciona? As terapias de um modo geral são, de certa forma, processos de reprogramação mental, onde um comportamento, uma forma de encarar o mundo, um trauma (que poderia ser encarado como uma programação instantânea e radical), são reformulados. Tem uma imagem, atribuída Freud, que ilustra o processo e como se espera que ele funcione:

Imagine que você é um balde cheio de água suja, embaixo de uma torneira, mas preso ao chão. Nesta situação, o único jeito de limpar a água é abrir a torneira e esperar que a água limpa elimine aos poucos a água suja.

Observe que a parte superior do balde está aberta e é essa atitude que se espera do paciente em uma terapia. Ele tem que estar aberto a novas ideias.

Todavia estamos falando aqui de reprogramação mental num formato específico: o self talking ou áudios e vídeos pré gravados.

Será que funciona? Uma bem elaborada reprogramação mental irá funcionar se você estiver disposto a novas ideias e a ter disciplina (ela tem que ser repetida inúmeras vezes, de forma sistemática).

Se você leu até aqui, provavelmente acha que a  reprogramação mental  tem o seu valor, porém pode estar perguntando se ela é prejudicial, talvez se lembrando do conceito de “lavagem cerebral” ou de algum guru picareta.

Se você pesquisar no google vai encontrar milhares de áudios e vídeos disponíveis, alguns de forma gratuita, destinado a ajudá-lo desde superar timidez, melhorar a auto estima até ganhar dinheiro. Alguns foram desenvolvidos por pessoas sérias, com formação terapêutica (psicólogos, psicanalistas, terapeutas), outros por amadores bem intencionados, simples brincadeiras ou até fraudes.

Usá-las indiscriminadamente pode redundar em dois possíveis prejuízos:

  1. Visão irrealista. Você pode achar que só ouvir ou ver o vídeo basta, acreditando que aquilo é mágico. Mesmo que a água suja tenha sido removida, você terá que transformar os pensamentos em ações. Por exemplo, não adianta nada ouvir um áudio que se propõe a eliminar o medo de dirigir, se você não se sentar ao volante e não der a partida, pondo o carro na rua.
  2. Frustração. Produtos mal elaborados ou esperar algo além do que o produto é capaz de realizar, pode fazê-lo se sentir frustrado.

Então, como separar o joio do trigo?

Ao escolher um produto desta natureza, tente fazer como compra qualquer outro que tenha um impacto significativo em sua vida. Por exemplo, como você escolhe um livro? Você pode entrar numa livraria, pegar o volume, ver quem é o autor, olhar a contracapa e as orelhas, ler alguma resenha, e assim por diante.

Um bom produto terá um autor. Se este autor for bem conhecido terá referências sobre ele na internet. Se ele lhe inspirar confiança, examine o produto. Normalmente há descrições sobre ele no próprio site de vendas ou opiniões usuários. Cuidados com descrições muito genéricos com adjetivação bombástica e redundante, sem dizer nada de relevante sobre o produto em si. E, se possível, pergunte diretamente a alguém que conheça o autor ou o produto.

Bons produtos também tem algum meio de contatar o produtor, por meio de e-mail, chat ou uma área de suporte no próprio site da loja ou do produto.

Finalmente, produtos desta natureza devem oferecer garantia e todos estão sujeitos ao código de defesa do consumidor.

Pronto! Você tomou uma decisão e escolheu um produto. Resta agora usá-lo. Todos os que eu conheço vem com "instruções de uso", que devem ser seguidas para que ele tenha o máximo resultado. Se ele não estiver funcionando como deveria, verifique se está seguindo as instruções corretamente ou se não está esperando algo além do que o produto promete.

Ao usar o produto, avalie como ele está agindo sobre você. Se sentir que as coisas não vão tão bem, mesmo fazendo tudo corretamente, pare imediatamente.

Atenção! Produtos deste tipo são auxiliares e são focados em temas bem específicos. Não substituem a ajuda de um profissional (um terapeuta, um psicólogo, psicanalista ou psiquiatra), para casos mais abrangentes. 



Imagem: colhida na web, sem indicação de autoria

segunda-feira, 11 de março de 2013

Os Três Sonhadores*



Os Três Sonhadores*

Sonhar no sentido de desejar alguma coisa que ainda não está ao nosso alcance é comum para a maioria de nós. Mas nem todos nós tem a mesma atitude diante dos sonhos. A seguir, conto três histórias sobre sonhadores, baseados em mim mesmo (só para adiantar e ser honesto, não ainda não me identifico com o melhor deles, embora lute para isso) e em pessoas que conheço.

*Qualquer semelhança com os três porquinhos não é mera coincidência.

O Primeiro Sonhador

Não sei quando comecei a sonhar. Não o sonho noturno, nem o simples devaneio, o “sonhar acordado”, embora seja bastante similar a isso. Falo do sonhar com o futuro, sempre melhor e mais interessante que o presente.

Isso até que é bom, pois “quem não sonha não tem futuro”, como eu ouvi e li muitas vezes de pessoas bem intencionadas e de livros de autoajuda. Mas eu acrescentaria “quem só sonha também não tem”. Sonhar é bom. Por que sonhar com uma simples viagem ao litoral, se posso sonhar com um cruzeiro no Caribe? Tem razão quem diz “sonhar grande é melhor que sonhar pequeno” e “desejar as estrelas o fará subir as montanhas mais altas”. Isso é verdade. Mas eu não estava disposto a subir as montanhas mais altas. Em certo momento eu desejava apenas as estrelas depois passei a desejar o desejo. Sonhar bastava, mesmo que eu não tivesse feito meu bate e volta para o litoral, dizia a mim mesmo: “E daí? Eu posso sonhar que um dia eu vou ao Caribe”.

Um dia apareceu um gênio e me disse: “vou lhe dar tudo o que deseja”. Esse gênio se chamava Cartão de Crédito. A possibilidade de fazer o que eu desejava imediatamente me fez muitas vezes esfregar a tarja magnética que o liberava. Mas em vez de eu obter a fartura, veio o Monstro da Fatura. Mas ele não era tão mau assim, pois ele me disse:

– Você só precisa pagar o mínimo.

Medi o tamanho da parcela e vi que ela cabia no meu bolso.

Tudo bem, se eu não continuasse a esfregar a poderosa tarja magnética que liberava o gênio. Descobri que ele era insaciável. Ele tinha aliados: o Desejo de Consumo, alimentado pela Ofertas Tentadoras, o É Só um Pouquinho por Mês e o famigerado e mentiroso Dez Vezes sem Juros.

Um dia o Gênio não quis me atender, respondendo em voz grave:


Mas e agora? Eu queria apenas pagar a compra do supermercado! Mas aí apareceu uma raposa chamada “Crédito Bancário”, dizendo:

– Eu tenho a solução. Um pequeno empréstimo vai lhe salvar.

Pronto, pensei. Posso voltar a sonhar com o Caribe. O sonho durou até eu ter que pagar, além da fatura do cartão, a primeira prestação (até a rima ficou pobre!).

Aí começou um circulo vicioso. Um empréstimo para pagar o outro, outro para pagar o um. Num ciclo em espiral que lembrava o crescimento da divida externa do Brasil.

E aqui estou eu, no meio de um pesadelo, em busca de um outro gênio mágico, capaz de me fazer voltar a sonhar. Me contaram que tem um tal de Agiota.

O Segundo Sonhador

Também gosto de sonhar. Como o colega acabou de relatar, com o “futuro promissor”. E estou a espera dele. Há muitos anos. E vejo, agora, que eu deixei o sonho fugir, acreditando que ele viria até mim se eu mentalizasse com energia suficiente. Era o que disseram para mim uma centenas de gurus, dizendo que havia garantias que a tal da Lei da Atração funcionava. Era um segredo guardado pela Classe Alta e que agora estava disponível para mim, graças a esforços de centenas de pesquisadores.

Confesso que querer obter as coisas apenas com desejo é uma ideia atraente (talvez aí resida a tal da lei da atração). Isso garante o sucesso de Aladim há séculos (se bem que, neste conto, a lição a ser aprendida é que desejo só não basta).

Pois é, depois de tantos seguindo a cenoura da Lei da Atração eu percebi que estava tão iludido quanto uma criança esperando por Papai Noel.

E descobri que o verdadeiro segredo da Classe Alta é realmente que, se você quer estar lá, você tem saber como chegar até lá, que planejar como estar lá, trabalhar para isso e estar disposto a pagar o preço. E descobrir que Papai Noel era apenas seu pai fantasiado e pagando seu presente com o décimo terceiro salário.

O Terceiro Sonhador

Eu gosto de sonhar. Desde criança eu tenho a imaginação fértil. Eu tinha as melhores ideias para as brincadeiras, eu fazia as melhores redações na escola, eu contava as histórias mais assustadoras quando eu e meus irmãos apagávamos a luz e tentávamos assustar uns aos outros com histórias de fantasmas.

Um dia decidi: Vou por esta imaginação pra trabalhar para mim. A criatividade que eu tinha devia me ser útil de alguma forma. Talvez eu me tornasse escritor ou quem sabe fosse trabalhar no cinema. Mas criatividade não é só útil nas artes. Podia ser um arquiteto, ser um engenheiro e desenvolver um bom produto, ser um homem de negócios com ideias inovadoras.

Percebi que podia escolher um alvo, esticar o arco e atirar. Eu o atingiria se o mantivesse focado. E o céu seria o limite se estivesse disposto a trabalhar para isso.

O que você achou destas histórias? Conhece alguém assim? Se identificou com algum?

Todos nós somos uma mistura dos três. Recentemente, num curso que fiz (Produtividade Ninja), aprendi um conceito importante: Otimismo Realista. Esta foi a lição que o Segundo Sonhador aprendeu e que o Terceiro tinha como princípio. Otimismo Realista é ter um objetivo concreto e viável e buscar atingi-lo, reunindo recursos para isso e evitando ao máximo a negatividade.

Tomemos o exemplo do sonho de ir ao Caribe do Primeiro Sonhador. Será que se ele não reequacionasse suas despesas ele não poderia ter uma viagem melhor do que um bate volta no Litoral? Talvez não desse para ele ir ao Caribe, mas se ele em vez de descer para o litoral todos os finais de semana, poderia economizar durante um tempo e fazer uma viagem mais longa para um lugar melhor.

Então, escolha seu objetivo, seja otimista (ou seja, acredite na possibilidade) e seja realista (trace seu planos e comece a trabalhar).

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